Como vencer os maus hábitos com software Livre

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No cotidiano por diversos motivos, ousamos pensar que, fazer o mínimo possível e obter o máximo, é o ideal para cada um de nós. Porem venho desmentir isso, afirmando que essa zona de conforto nos levará a um ideal irrisório perto do que realmente podemos fazer.

Falo de maus hábitos, pois vejo muito disso na esfera de software livre do Brasil. A nossa forma atual de ver a informática começou na ditadura militar, com a “ lei nacional de informática”, que tinha como objetivo: “abraçar o mundo para a informática”, porém mantinha as ideias e interesses militares em primeiro plano, na lei não menção de como “as políticas de informática” iriam fomentar a inciativa privada, algo semelhante aconteceu com o Windows Phone, devido à dificuldade de obter lucros, poucas empresas desenvolvem para esta plataforma, isso sem falar dos usuários que sem apps não vão usar aquele sistema operacional mesmo que o custo seja menor, Firefox OS que o diga, pois uma tecnologia tem que ter usuários, desenvolvedores, vendedores… embaixadores e até mesmo idiotas, que acham que sabem de tudo sobre mas nem leram a documentação básica do sistema; tem que haver todo um ecossistema, não apenas partes isoladas.

Temos que transcender a mentalidade software proprietário e livre, eu sempre tento pensar como a filosofia Free software, devido alguns motivos somos empurrados para softwares Open Source ou proprietários. Vejo um exemplo disso com pessoas que se dizem usuários de desktop Gnu/Linux, mas usam celulares com o sistema Open Souce AndroID da Google, sendo que a versão Gnu/linux dele é o Replicant, que quase ninguém usa. Quando toco nesse ponto já vi diversas reações, todas implicam posse: de Apps, drivers proprietários ou as vezes até design.

Para mudar essa forma de pensar errônea, temos que ser mais honestos, mesmo que você não saiba nada de informática, não minta para si mesmo, isso não vai tornar você mais inteligente, pelo contrário, quando isso começar ressoar em você, verá que é possível sim, contribuir com aquele aplicativo que gosta.

Se você é usuário leigo, pode não fazer nada, para preservar um projeto de software livre, se ele sumir sem avisar você não poderá culpar ninguém por isso. Tente começar falando do software que você gosta em suas redes sociais; seja assertivo, diga o motivo porque gosta, não seja muito técnico, nem superficial, seja simples, não seja simplório.

Direcione as suas investidas com software livre para quem você sabe que não usa software licenciado, ou mesmo que se queixa das ferramentas que tem, afirme apenas os pontos fortes, as deficiências devem ser tocadas porém não enfatizadas.

Outra forma de contribuir é com documentação, faça manuais básicos para o dia a dia, no idioma que você dominar e da forma que você sabe que irão lhe entender, não pense em usar só termos técnicos, use gírias se for o caso, expressões em outros idiomas, evite erros de concordância passe num corretor ortográfico, revise e revise… isso já vai baixar os erros triviais de qualquer edição. Se você não gosta de falar sobre software livre, de escrever documentação ou fazer traduções, faça doações, não só de grana mas de tempo, tem muitos locais que precisam de gente para moderar listas de e-mail, forums, organizar chats e por ai vai, só com boa vontade da para aprender a fazer.

Se você não gosta de fazer nada o que citei acima, doe dinheiro, pode ser de cartão de crédito, pague seguro, paypall ou mesmo bitcoin, escolha opções e valores que caibam no seu bolso. Peço que doe apenas para projetos que tem representação no Brasil, ou mesmo que tenha como mensurar pelos benefícios que lhe são dados, evite Fundações que não se importam com usuários mas apenas o dinheiro em si, que não tem representação legal no Brasil.

Se você trabalha na área de informática, pode fazer tudo que citei acima, e ir além disso com:

– Distribuição de software que tenham licenças livres, faça um pacotão com tudo que você usa, passe para alguém que não conheça aqueles softwares, caso você tenha dúvida se o software que você está distribuindo é compatível com a GNU GPL , ou não, veja a lista completa de licenças compatíveis com a GPL, peço que você seja sucinto com a escolha de aplicativos, não dê “pérolas a porcos” mas também não de gotas d’água para quem tem sede.

Outro ponto é a pirataria, use seus dons informáticos para propagar coisas boas, pirataria só denigre não faz bem a ninguém, tenha responsabilidade, por exemplo – Se fosse você que tivesse feito um software legítimo e alguém roubasse o seu projeto, isso não o deixaria feliz, né?

A pirataria rouba, quem faz software de forma legítima, mesmo quem não é remunerado para isso, não manche o trabalho de outros, podem fazer o mesmo com você. Não se iluda achando que baixar software na internet não é pirataria, se ele não tiver uma licença livre é sim!

Lembre-se: Toda tecnologia inicialmente é feita para fins militares, se não servirem para isso, passam para finalidades financeiras e se não servirem para isso, talvez sirvam para as pessoas normais, ninguém vai te dar uma licença paga a toa, até “os Deuses vendem quando dão” imagina os mortais então.

Para você que é desenvolvedor de software, todos os parágrafos acima lhe são aplicáveis, mesmo que não trabalhe com infraestrutura, o que faz influi sim na infraestrutura, a não ser que você trabalhe apenas no “mundo das ideias” onde residia Platão.

Comece fazendo um fork daquele projeto que você gosta, mas não apenas copie tente melhorá-lo, tente simplificar partes, aplique metodologias que lhe são familiares, caso o software não possua, tais como conceis de segurança de informação, engenharia de software ou estrutura de dados.

Caso você não esteja afim de programar no seu tempo livre, então documente!

Comece a documentação de forma bem ousada, algo como:

Desafio você a fazer algo melhor do que está lendo!

Outra coisa que pouca gente vê utilidade, mas é algo bem relevante, faça pequenos programas/bibliotecas com funcionalidades básicas mas de forma enxuta, ele pode ser usado por outras pessoas ou mesmo aparecer em algum filme que trate sobre o que você fez no seu tempo vago, como no caso do GNU/Linux para o Linus, era apenas um projeto de fim de semana e veja o que ele é hoje.

Concluo que se temos algum problema com software livre ou mesmo se queremos apenas ajudar, projetos que acreditamos, podemo sim fazer algo. Cabe a cada um de nós examinar, o que pode fazer e como pode ser feito, assim como fiz com esse artigo para o site Tecnologia aberta do qual faço parte desse brilhante time.

O movimento de Software livre no Brasil está bem vivo, como qualquer outro movimento carece de capital humano, não deixe o movimento morrer, escolha a vida, não se torne um necromorph!

Dúvidas, críticas, sugestões, escreva nos comentários por gentileza.

linux , 24/09/2015 13:34 4 Comentários

Everton Melo

Everton Melo

Comecei a trabalhar com suporte a infraestrutura em 2004, depois passei por várias área dentro da informática, atualmente trabalho com automação computacional. Procuro contribuir com comunidades de software livre que aprecio o trabalho. Nas minhas horas vagas, sou palestrante, músico amador, roteirista... Procuro analisar os fatos da vida, sempre pelas perspectiva da lógica e da reflexão.

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4 Comentários

  1. Wilson disse:

    Sou usuário mediano e amante do software livre.Uso para fazer de tudo inclusive incentivar o uso. Já doei e esclareço quais utilizei num determinado momento onde pode ser publicado / visualizado. Parabéns pelo artigo. Demais mesmo!!Abraço.

    • Everton Melo disse:

      Wilson fico muito grato por voce ter gostado do texto.
      valeu mesmo isso da um gás para que nós do “Equipe tecnologia Aberta” façamos mais conteúdo pensando no nosso público, sempre melhorando o conteúdo cada vez mais!

      A sua gratidão é um salário muito imensurável!

      se puder sempre comente as nóticias que voce lhe agrade ou não.
      compartilhe em sua redes sociais os conteúdos que possam ser uteis a outras pessoas.
      lembre-se conhecimento é a uníca fonte de quanto mais você doa, menos ela seca.

      atenciosamente.

      TA – TEAM;

  2. 5ive disse:

    Muito bom esse assunto, temos mesmo que criar o hábito de incentivar a colaboração. Eu msm nunca pensei muito em linux, infelizmente para quem não conhece direito o Linux não tem um bom nome (ele é manchado) entre os “ignorantes”. Depois que agente começa a conhecer sobre Software livre e nos beneficiar deles, temos mesmo que fazer algo para apoiar.
    Sempre utilizei 1 ou outro software livre, mas não levava comigo essa cultura ou consciência de manter e ajudar o software de alguma maneira. Essa cultura não existe no mundo Windows. Hoje mesmo tarde admito que essa causa ou “cultura” sei lá como chamar, é incrível e que ajuda tantas pessoas deveria estar em primeiro plano. Obrigado por este texto e mais ainda, por este site. Pelo trabalho de vocês que tem muita qualidade. Descobri vocês a menos de 1 mês e nesse mar de notícias que é a internet, fica difícil acompanhar algo que tenha realmente qualidade. Já sou fã do OpenCast que tem muita qualidade também.

  3. Everton Melo disse:

    5ive muito obrigado pelo retorno.

    O engajamento é algo contagioso, comecei a utilizar computadores lendo manuais de Windows 3.11 porém senti na pela essa Cultura que voce disse, onde cada um prioriza o seu.
    Hoje alguns anos depois me deparo com essa cultura mais ainda, mas ao mesmo tempo vejo que quem difunde o conhecimento aberto, tem mais longevidade em sua carreira profissional.
    Acho interessante ajudar as pessoas, mas temos que priorizar nem sempre da pra ajudar, outras vezes a pessoas não querem ajuda.
    O que faça para mudar essa perspectiva é justamente fazer o que o meu texto diz, com pequenos atos fazer a diferença, não perca tempo com quem não quer ouvir o que você tem a dizer mas vá ao encontro de quem mais precisa, isso ja será um prêmio inestimável.

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