Sua distribuição tem futuro a médio prazo?

Olhe para sua distribuição neste exato momento. Responda: ela estará ativa daqui a 5 anos? Você pode dizer com toda segurança que “sim”, mas se ela não preencher os quesitos abaixo, direi com toda certeza que “não”, ela não estará viva até lá.

O primeiro quesito que condenará sua distro é “trabalho voluntário”. Se ela depende exclusivamente dele, não há a menor possibilidade de sobreviver. Mantê-la é cada vez mais complexo, e reuniões de final de semana e contribuição esporádica com código não ajudará em nada.

Outro fator importante é administrar personalidades distintas num grupo, onde sempre há desentendimentos que prejudicam os trabalhos. Como resultado, forks aparecem e morrem da noite para o dia. Há exemplos recentes sobre isso. Basta procurar na internet.

O segundo quesito é inexistir uma figura jurídica com objetivos claros, tanto no caminho a seguir quanto na organização dos trabalhos, e também na captação de recursos. Nenhum esforço sobrevive com venda de camisetas e canecas.

O dinheiro é fundamental para a sobrevivência de uma distro, pois precisa-se pagar pelo trabalho alheio – que uma hora tornar-se-á necessário – além de divulgação, equipamentos, parcerias e tudo o mais que você pensar.

O foco pode ser num nicho em especial, oferecendo um serviço inexistente, é o passo certo para agregar valor a uma distribuição e garantir seu futuro. Sem isso, nada feito.

O terceiro ponto é a “one man distro”, aquela coisa maravilhosa desenvolvida somente por uma pessoa, o sabichão, o faz tudo, até que um dia ele não consegue dar os passos necessários ou simplesmente desiste e parte para outros planos.

O quarto ponto é a originalidade do trabalho. Quem não ousa, não inova, não se arrisca a quebrar paradigmas, não despontará num meio que cresce e se profissionaliza a passos largos. Mudar wallpapers e ícones apenas não se enquadra neste exemplo.

E o último ponto é a base instalada. Fazê-lo não computador da vovó ou da mamãe não conta, no seu muito menos. Se não houver alguns milhares de computadores rodando sua maravilha tecnológica, você não será visto; e, não visto, devidamente ignorado.

O que escrevi acima pode parecer um exagero, mas o linux profissionaliza-se a passos largos. Sem uma visão empresarial, o “ano do linux” será apenas uma quimera, um mito.

A visão romântica dos homens que “eram homens e escreviam seus próprios device drivers” talvez não tenha passado disso, uma fantasia perdida no ano de 1991, na mente ingênua de um garoto europeu.

Que seja bem vinda a realidade.

Antônio Carlos V da Silva

Comportamento , 10/10/2015 07:43 10 Comentários

10 Comentários

  1. Marcus Vinicius disse:

    Você não sabe o que é uma distribuição linux, nem como verdadeiramente funciona.

    • tecnolog disse:

      Marcus Vinicius, nos explique com suas palavras o que é uma distribuição linux e como verdadeiramente funciona! Com suas palavras.

      • Kleber Barros disse:

        quem pensa que pessoas físicas sustentam alguma distribuição de respeito, deveria ver quem mantém o kernel Linux…
        http://sempreupdate.org/linux-foundation-divulga-lista-das-10-empresas-que-mais-contribuem-com-o-kernel-confira/

        Depois que alguma ainda achar que uma distro pode ser mantida por uma unica pessoa tem de trocar os remédios.

      • Marcus Vinicius disse:

        Você erra quando disse que remaster é distribuição que qualquer pé de porco pode fazer no fundo do quintal e ser descontinuada mais adiante quando as doações não renderem uma pizza. Distribuiçõa conta com o suporte por exemplo do Debian de 900 colaboradores pre-testados para colaborar. Distribuição é Debian, Ubuntu, slackware, OpenSUSE, Fedora, Arch, o resto é gambiarra, é arapuca. Qualquer user linux intermediário sabe que uma iso pode conter programas maliciosos que pode lhe fazer a limpa no banco que você acessar e depois desaparecer descontinuando a remaster. O seu desconhecimento disto prova que você não sabe o que é uma distribuição de verdade.

        • tecnolog disse:

          Pelos comentários que estão sendo moderados, parece que tem gente que não sabe ler mesmo, muito menos responder objetivamente a um questionamento. Faça o exercício de ler e reler um texto antes de comentar, mas faça isso de verdade. Não há nenhum ponto no texto que diga que um remaster é uma distribuição.

        • Antonio CV Silva disse:

          realmente não me referi a nenhuma remasterização.

  2. Shit, estava tudo bem até chegar ao “one man”… Senti uma indireta para o grande Slackware kkkk

    O deus Patrick está se encarregando de, certa forma, dividir o trabalho.

    • antonio cv silva disse:

      juro que não pensei no slack, mas nas refisefuquis da vida. 🙂

      • Marcus Vinicius disse:

        Você se referiu às refisifuquis? E mais acima diz que não se referiu a remasteurização? É a mesma coisa, mesma sim. O Ubuntu, o Debian, o Arch, OpenSuSe estão há muitos anos no ar e passarão de décadas nos anos futuros. O Ubuntu fez ontem 11 (onze) anos de vida.

  3. BetoLoko disse:

    Um tapa na cara da sociedade kkkk

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