Aplicativos duplicados: hora de simplificar?

O sistema colaborativo tem a grande qualidade de conjugar esforços, agilizando a construção de vários aplicativos. Mas existe um forte efeito colateral: a duplicação de trabalhos que realizam uma mesma tarefa.

Para exemplificar nosso artigo da vez, citemos o triste caso das suítes de escritório livres: libreoffice, abiword (parte da abisuíte) e calligra, três aplicativos que respondem também pela edição de textos.

À primeira vista, um usuário poderia definir tal variedade como “liberdade de escolha”. Mas trata-se de um grande e desnecessário esforço para resultados pífios, para não dizer nulos, em dois deles. Vamos analisá-los friamente?

O abiword foi a resposta da SourceGear Corporation à ausência de um editor de texto decente que rodasse no esfeniscídeo. A versão inicial foi em 1998 e a última, ano passado. Mas a empresa resolveu ganhar dinheiro e abandonou o projeto, que foi continuado como projeto colaborativo.

Desde então ele caminha a passos de tartaruga. Contém recursos essenciais para a maioria dos usuários que desejam uma edição básica de textos, sem muitas frescuras, e tem saída para vários formatos de arquivos. Muito leve.

O libreoffice originou-se do proprietário StarOffice, criado pela Star Division, que foi comprada pela Sun Mycrosystems em 1999, e esta pela Oracle. Originou também o brOffice, apache office e lotus shymphony. É constantemente atualizado.

É uma suíte paquidérmica mas completa, com recursos que permitem edição profissional de textos. Além dos aplicativos esperados, tem o libreoffice Base, gerenciador de banco de dados compatível com vários motores, como MySQL, dBase, HSQLDB e outros, nos padrões JDBC e ODBC.

Nosso terceiro candidato é a suíte calligra, pensado para rodar nativamente no KDE, já que usa a Qt. É também bastante completo, originado de um – adivinhem? – fork do antigo Koffice. Tem evoluído de forma contínua e já foi portado para o KDE 5.

Destes exemplos, somente o libreoffice tem casos de sucesso na aplicação comercial, já que funciona em qualquer ambiente gráfico para linux. Os outros são ilustres desconhecidos, usados por nichos específicos, se muito.

Quem usa o libreoffice concentra-se nele, pois não faz sentido aprender o manejo de duas suítes com o mesmo objetivo. É utilizado por instituições de ensino, como UNESP e UFG, e o Ministério da Defesa italiano migrará 150 mil computadores para esta suíte.

Estes aplicativos dão cabeçadas uns nos outros, com dois deles sem acrescentar nenhum recurso original, diferenciador, desperdiçando energia de gente talentosa que poderia concentrar-se no melhor, atualizando os aplicativos e trazendo mais dinheiro para o projeto.

Seria demais ressaltar que libreoffice e calligra são forks originados de querelas legais e bate-boca ideológico entre os seus membros, respectivamente, e o abiword foi simplesmente abandonado quando a empresa desenvolvedora caiu na real e decidiu ganhar dinheiro com software?

Alguém aqui lembra-se do fork do aptosid, originando o siduction, quando a equipe viu que o responsável pela distro não declarou as doações ao fisco alemão? Foi um “deus nos acuda”, a fim de evitarem a acusação de sonegação fiscal.

Software livre não é mais brinquedo para amadores ocuparem seus finais de semana. Não há mais espaço para se criar coisas que não sejam realmente boas. Ou colaboram com o que vale a pena, ou não façam nada.

Ou vocês acham que trabalho voluntário garante o futuro de qualquer projeto, sem uma organização profissional que gerencie os trabalhos de forma eficiente e conquiste a confiança das empresas e instituições?

Sonha meu jovem, sonha…

Comportamento, linux , , , , , , 18/11/2015 10:41 Deixe um comentário

Antonio Carlos V. da Silva

Antonio Carlos V. da Silva

Apenas um latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vivendo no interior.

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