Jon Lech Johansen manda lembranças

Os linuxers de hoje talvez não conheçam, mas Jon Lech Johansen, é um cidadão norueguês que quebrou o código anticópia CSS dos dvd’s, em 1999, com apenas 15 anos, ao apresentar seu programa DeCSS.

O CSS consumiu a bagatela de alguns milhões de dólares para ser desenvolvido, e Jon quebrou-o em apenas uma semana. Depois publicou o código de seu libdvdcss2 na internet e a Motion Picture e DVD Copy Control entraram na justiça contra ele.

Nos tempos atuais, de conteúdo multimídia online, talvez esse assunto tenha perdido o interesse, mas naquela época foi um escândalo só. Chegou-se a “prever” o fim da indústria do entretenimento, mas gerou apenas uma cansativa corrida de gato-e-rato.

Querelas a parte, esta pequena história ilustra a preocupação atual com a segurança da informação. Não importa o sistema operacional, não importa as medidas implementadas, alguém – em algum lugar – irá quebrá-las.

E nada representa melhor este temor, do que a coleta de dados “escandalosa” que a microsoft vem fazendo com seu windows 10. Relembrando: endereços IP, hábitos de navegação, configurações de rede, entre outros, com as “finalidades de desenvolvimento e aprimoramentos de recursos”.

Mas a empresa não foi a primeira nem será a última. A Apple, o Google, além de empresas que desenvolvem inúmeros aplicativos, também o fazem. E, não menos ruim, a Canonical. Esta criou a interface unity como elemento central entre dispositivos móveis e tem seus méritos.

E quem usa o ubuntu já acostumou-se com o dash, área central para realização de várias tarefas, incluindo pesquisas na web “e” – em troca – oferta de propaganda direcionada. Uma forma de obter receitas e manter o projeto.

O escritório de consultoria Gartner divulgou que 6,4 bilhões de objetos “inteligentes”, de uso doméstico, estarão conectados na internet até o ano que vem, um aumento de 30% em relação a 2015. É a internet das coisas, e as informações coletadas serão vitais para que possam funcionar segundo o planejamento.

Por exemplo: o sensor do ar condicionado necessitaria saber a localização de sua casa para obter a previsão de tempo e o computador da engenhoca decidir qual a temperatura ideal para a sala. Isso não quer dizer que sua privacidade foi violada, já que sua residência é um local devidamente identificado na prefeitura e nos correios, ou seja, todos sabem onde fica.

A situação se complica quando os dados podem indicar o que o usuário faz que somente ele deve saber, além das pessoas que possam compartilhar essa informação, sem que isso signifique uma transposição do legalmente aceitável.

A questão central é onde colocar um limite nestas coletas, e empoderar o usuário para que decida permiti-lo ou não. Por mais genéricas que sejam, transmiti-las pelo éter trás riscos idênticos, pois não existe segurança 100% e sempre há um Jon Lech Johansen por aí, a espera da oportunidade certa.

Mas achar que esse fenômeno terá fim é acreditar piamente no saci pererê. E, talvez, as distros linux possam diferenciar-se dos abusos, oferecendo o que o usuário quer: transparência e o direito de decidir seu caminho.

Comportamento, linux, News , , , , 17/11/2015 19:53 2 Comentários

Antonio Carlos V. da Silva

Antonio Carlos V. da Silva

Apenas um latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vivendo no interior.

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2 Comentários

  1. Tem que ser corajoso para usar esses aparelhos IoT com produtos da Apple, Microsoft ou Google. Nós sabemos que a única solução para esses problemas é o software livre (free software).

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