E a segurança, como fica?

Liberdade

Em tempos de Snowden, Assange e Stallman, debater sobre a segurança e privacidade não é somente um hábito típico de seres paranoicos, afinal é preciso entender sobre a insegurança que existe em função do crescimento da tecnologia. Com o terrorismo mundial servindo como justificativa para a total quebra de privacidade do cidadão, figuras que denunciam esquemas de espionagem se tornam traidores nacionais e se tornam terroristas como o caso do Snowden, que apenas mostrou algo que já se sabia que ocorria nos Estados Unidos.

Já descendo aqui para terras latinas, a situação toma um tom indesejável de cômico. Enquanto todos sabem que as informações que circulam por aqui não é nenhum desafio para a espionagem dos Estados Unidos, a questão da segurança das informações nacional nunca foi levada a sério por aqui. Me lembro da época de estágio em uma empresa pública que percebi a quantidade de instalações de máquinas windows como ambiente de trabalhos para os pesquisadores que trabalhavam com informação sigilosa, e sempre me perguntava se por meio das atualizações automáticas do Windows seria possível ter acesso por meio da Microsoft, caso hipoteticamente eles quisessem ter acesso aos conteúdos dos pesquisadores. Uma questão digna de ficção científica, mas bem, levando em conta que a Microsoft é uma empresa americana e que não se pode fazer nenhum tipo de auditoria desse tipo no fonte do Windows, questões hipotéticas podem sim, se tornar problemas reais. Imagine a quantidade de pessoas que trabalham com informações nacionais utilizando estações de trabalho cheios de software desse tipo. O ponto que de fato, quero chegar é o excesso de dependência nacional de tecnologias proprietárias de fora. Enquanto aqui todos os órgãos do governo dão preferencia a tecnologias proprietárias, países como a China, que levam a segurança muito a sério, possuem sua própria customização de tecnologias livre e querem a todo custo, se livrar de qualquer dependência desse tipo.

Enquanto por aqui, conforme já previsto por muitos, toda boa vontade nacional de aumentar os esforços em relação a segurança, foi sendo minada pelo tempo depois do escândalo Snowden, temos vistos uma situação preocupante na população americana que pode ser a origem de um problema maior. A aceitação crescente da população de abrir mão da privacidade em função da segurança nacional e da luta contra o terrorismo. Permitir que órgãos do Estado pratiquem atos que ferem os direitos de um cidadão sem nenhuma prestação de conta e controle rígido é a origem da criação de um Estado mais perigoso que qualquer grupo terrorista existente hoje no mundo. É irônico, um Estado que viola os princípios liberais de Estado que foram a base sua independência querer hoje se chamar de uma das grandes democracias do mundo. Para quem acha que esse tipo de atitude é algo justificável em nome da segurança, coloco abaixo uma historinha que tive conhecimento lendo Fundação, do Issac Assimov, que sabiamente previa, junto com George Orwell, que nações tentariam fazer esse tipo de coisa quando a tecnologia tivesse poder para tal.

“O cavalo possuía um inimigo mortal, o lobo. Ele vivia com medo e não possuía paz por saber da ameaça iminente do lobo a sua vida. Quando encontrou o homem, que também possuía o lobo como inimigo mortal, disse:
– Homem, já que ambos temos o lobo como inimigo, vamos no juntar e matá-lo assim, poderemos ter paz
O homem olhou para o cavalo e disse:
-Lhe ajudarei, somente se você me permitir usar sua velocidade para tal, cavalo.
Assim o homem pôs uma cela no cavalo e rumou para caçar o lobo. Ao encontra o lobo, o homem junto com o cavalo conseguiram matá-lo. Assim, ao terminar o cavalo disse:
-Que felicidade, agora homem, o senhor faria o favor de devolver minha liberdade e retirar essa sela de cima de mim?
O homem olhou para o cavalo, riu e disse:
-Tá bom, até parece.
Depois disso e homem esporou o cavalo e saiu com ele, trotando.”

Comportamento , , , , , , 11/12/2015 10:29 1 Comentário

Ismande

Ismande

Nerd, Músico, Devoto de São Linus e Sir Eric S. Raymound.

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Um comentário

  1. Leonardo Vieira disse:

    Excelente texto, direto na questao.

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