Análise Negativista Sobre Certificações e o Mercado No Brasil.

Certificações

No Brasil, o mercado de trabalho tem usado as certificações como principal meio de seleção de candidatos na área de TI. Por aqui ocorre mais ou menos o seguinte, o estudante se forma e começa a tentar acumular certificações no currículo para conseguir maiores chances no mercado de trabalho.

Existem alguns problemas nessa abordagem, o principal, no fato de que as empresas não tem acreditado na formação universitária do candidato e apostam no critério de seleção baseado na dualidade certificação e experiência, sendo a última como critério realmente confiável e significante para uma seleção. Isso é um indicador de que o ensino universitário por aqui não serve pra muita coisa além de dar um papel com diploma para uma pessoa e filtrar candidatos já não muito reconhecidos. Para o profissional, acaba se tornando uma estranha forma de investimento na carreira, com o dólar na forma que se apresenta no momento em que esse artigo é escrito, de uma forma muito generalista o profissional gasta algo em torno de mil reais para fazer uma prova fora os custos de tempo e estudo que muitas vezes envolvem a compra de livros técnicos. Se você não tiver o inglês em dia a coisa pode complicar porque é uma exigência implícita para trabalhar na área.

O que está sendo cada vez mais comum no mundo de TI é o surgimento do famoso cara-certificado. Ele possui todas as certificações que consegue, faz ainda uma pós e adquire um doutorado sem realmente ter algo relevante para acrescentar.

A tese de mestrado do Linus Torvalds falava sobre o linux, uma criação sua. Que professor com doutorado você conheceu na faculdade que realmente acrescentou algo relevante para a área? Lua foi um interessante projeto acadêmico nacional e mostra que pode existir algo relevante no país sim. Se de todos os professores que você teve pelo menos um acrescentou algo relevante, meus parabéns considere-se com sorte.

O cara-certificado é uma figura carimbada nas empresas , é aquele cara que se gaba e pode inclusive ser considerado pela gerência um cara culto, uma grande aquisição para a empresa, mas qualquer recém-contratado percebe no cotidiano que ele não contribui nem a metade do que aquele cara que ás vezes só tem o ensino médio e entrou pela experiência em um cargo que paga bem menos.

Obviamente não leve ao pé da letra e pense que os profissionais certificados são ruins, certificação aqui no Brasil se tornou algo muito estimado, mas a presença constante do famoso cara-certificado mostra que o cenário de seleções por meio principalmente de certificações é algo um tanto surreal.

Embora não tenha um conhecimento muito grande da área de TI em outros países já vi relatos que em muitos países, as certificações não possuem tanto valor assim, afinal é muito comum selecionarem profissionais certificados e perceberem que não tem os conhecimentos que se esperam. Assim adotam testes práticos e análise da experiência, métodos muito mais confiáveis.

A polêmica da eficácia das certificações é um assunto um tanto complexo que foge do escopo desse artigo mas se existe algo que poderia melhorar a situação atual é a existência de cursos superiores de qualidade, não apenas diplomas distribuídos a um alto custo que só servem para serem guardados e acumulados como um simples papel com moldura na parede.

Comportamento , 08/03/2016 08:00 3 Comentários

3 Comentários

  1. Antonio Carlos disse:

    Interessante sua abordagem. Não sabia que era assim.

  2. Bruno disse:

    Certificação é sempre um assunto delicado. Uns acham mega importante outro não. Na minha opinião certificação não prova conhecimento de fato, prova que a pessoa gastou um certo tempo para estudar tal assunto para realizar a prova. Note que há uma diferença entre estudar e aprender. A certificação prova que você estudou tal assunto e passou na prova. O que realmente prova se uma pessoa realmente sabe aquilo na qual ela foi certificada é o teste prático.
    Uma coisa que me incomodou no texto foi a forma, no mínimo simplista, que o autor deu ao falar do processo para uma pessoa se certificar ou conseguir um diploma de doutorado dando a impressão de que não domina o assunto. Posso estar errado mais foi a impressão que tive sobre o texto.
    Falando do processo de certificação, é muito mais complexo que comprar livros de “Test King” da prova. Envolve além da leitura, tempo para realizar simulados e muitos testes para colocar em prática os exercícios, além de outros fatores. Então não se pode dar uma visão simplista do processo referente a um assunto delicado desse.
    Sobre o doutorado/mestrado a visão foi mais simplista ainda. Começando que para submeter há um curso de pós graduação desse nível os pré requisitos não são tão simples de serem atingidos. Dizer que muitos concluem o curso de pós graduação sem acrescentar algo é diminuir mais ainda o assunto pós graduação. Toda tese antes de começar ser escrita ou estudada passa por uma avaliação de orientadores. Normalmente a tese do mestrando ou doutorando esta atrelada há uma pesquisa maior. Então dizer que não agregam nada não é uma afirmação válida. Comparar historias de pessoas ícones da área com a média das outras pessoas também é no mínimo injusto. Pois esses ícones são diferenciados. É a mesma coisa que querer comparar Einstein com sua teoria da relatividade a outros físicos com teses bem menores. Isso não quer dizer que essas teses menores não somam nada à um conhecimento maior.

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