Huawei Mate XT 2 chega na véspera do dobrável da Apple

O trifold da Huawei muda a dobradiça, ganha tela de privacidade e custa 19.999 yuans na China, 48 horas antes do evento em que a Apple deve mostrar seu dobrável.

A Huawei apresentou no dia 7 de setembro o Mate XT 2, segunda geração do seu celular de dobra tripla. O lançamento caiu 48 horas antes do evento em que a Apple deve mostrar o primeiro iPhone dobrável, e a coincidência de calendário não parece acidental.

Mãos segurando um smartphone
Imagem: freestocks.org / Flickr (CC0)

A dobra mudou de formato

A mudança estrutural está na dobradiça. A primeira geração usava dobra em sanfona, com uma seção indo para dentro e a outra para fora, o que deixava parte da tela flexível exposta quando o aparelho estava fechado. O Mate XT 2 adota um formato em Z com as duas bordas dobrando para dentro, em direção ao centro.

O ganho prático é direto: fechado, o painel flexível fica protegido pelos dois lados. Era a crítica mais consistente ao modelo anterior, e a Huawei respondeu a ela na segunda tentativa.

A ficha técnica

  • Tela interna: OLED de 10,2 polegadas, 2.232 x 3.148 pixels, taxa de atualização de 1 a 90 Hz.
  • Tela externa: OLED de 6,5 polegadas com vidro Kunlun, de 1 a 120 Hz.
  • Processador: Kirin 9050 Pro.
  • Memória: 16 GB de RAM e 1 TB de armazenamento.
  • Câmeras: principal de 50 MP com sensor de 1/1,28 polegada e abertura variável de f/1.49 a f/4.0; ultrawide de 40 MP; teleobjetiva periscópica de 50 MP, com 3,5x óptico, 7x em qualidade óptica e 100x digital. O conjunto usa a terceira geração do sensor de cor Red Maple.
  • Bateria: 5.600 mAh, com 66 W com fio e 50 W sem fio.

Há ainda um modo de privacidade de tela, que estreita o ângulo de visão para que o conteúdo só apareça para quem olha de frente. É o mesmo recurso que a Samsung passou a oferecer recentemente, e que faz mais sentido em um aparelho de 10 polegadas aberto no metrô do que em um celular comum.

Preço e disponibilidade

O Mate XT 2 custa 19.999 yuans, cerca de 15,3 mil reais em conversão direta, sem impostos ou frete. A venda está restrita à China, e a Huawei não anunciou lançamento global. Na prática, o aparelho não deve chegar ao Brasil por canal oficial.

Isso limita o impacto comercial, mas não o significado. A Huawei segue sob restrições comerciais dos Estados Unidos desde 2019, o que a tirou do Android licenciado e do acesso às fábricas de chips mais avançadas do mundo. Lançar um trifold com Kirin próprio, câmera de abertura variável e 1 TB de armazenamento é uma demonstração de que a empresa reconstruiu boa parte da cadeia que perdeu.

A véspera do dobrável da Apple

Nesta quarta-feira, 9 de setembro, às 14h de Brasília, a Apple realiza no Steve Jobs Theater o evento “Surprise and Shine”, o primeiro sob o comando do novo CEO, John Ternus. A expectativa das prévias de imprensa é de iPhone 18 Pro e Pro Max, Apple Watch Series 12 e Ultra 4, AirPods 5 e, principalmente, do primeiro iPhone dobrável, com preço inicial estimado na casa dos 2 mil dólares. O iPhone 18 padrão não deve aparecer, ficando para 2027.

O contraste entre as duas estratégias é o que torna a semana interessante. A Huawei está na segunda geração de um formato de três dobras, vendido em um único mercado, com preço de item de vitrine. A Apple deve estrear no formato mais conservador, de dobra única, sete anos depois do primeiro Galaxy Fold, e com distribuição global desde o primeiro dia.

Quem chega primeiro define o vocabulário. Quem chega com escala define o mercado. Vale observar, a partir de quinta-feira, qual dos dois caminhos os concorrentes decidem copiar.

Fontes